música

the necks

15 Mai

Quarta

22:00

7 eur

blackbox

Improviso não é palavra que tenha pouco peso quando o assunto se chama The Necks. Improviso é, simultaneamente, a melhor e mais fiel descrição que se poderá fazer destes australianos formados em 1987. Ao longo de 30 anos, os The Necks ergueram das mais reputáveis carreiras no jazz enquanto fórmula de improviso e de experimentação. Cada subida a palco é uma folha em branco, sem ideias pr.‑concebidas, sem acordos sonoros, numa jornada onde o momento e a sala definem o caminho. Esta até poderá ser uma característica comum a muitos outros grupos, mas é o número de saídas vitoriosas destas jornadas que faz com que os The Necks tivessem já partilhado projetos e colaborações com nomes como Brian Eno, Swans e Evan Parker, ou até terem assegurado a primeira parte para Nick Cave e os seus The Bad Seeds. Mas ainda assim, não é isto que torna os The Necks num caso único. É, sim, a capacidade de tornar cada concerto num evento singular, inteiramente improvisado, trabalhando com a acústica da sala e o compromisso do público presente. E todos saírem satisfeitos. Já raros são os momentos em que estes compromissos com o ambiente são captados e editados em disco de acesso legal, mas nada que contrarie ou comprometa a frenética edição discográfica do trio composto por Chris Abrahams, no piano, Lloyd Swanton, no contrabaixo, e Tony Buck, na percussão. Aliás, bem pelo contrário, o desafio dos microfones ligados torna‑se noutra aventura da manipulação do real. Ponto um: nunca olhar para o disco como algo que os levará a uma digressão. Ponto dois: o processo de gravação permite não só acrescentar como desconstruir, algo que os três vêm com bons olhos quando surge o nome de Tim Whitten, técnico de estúdio com quem a banda gravou quase a totalidade da sua discografia. Para os The Necks, a peça musical só existe aquando do processo de mixagem, ou então – algo até irónico – quando se encontram em cima do palco. Do estúdio, Body (Fish of Milk, 2018) é o mais recente álbum e sucede a Unfold (Ideologic Organ), considerado pela Rolling Stone como um dos melhores 20 discos avant de 2017. Já do palco, a boa notícia é que os The Necks ocupam certamente um dos lugares cimeiros nos melhores improvisos dos últimos 30 anos; já a menos boa é que cada concerto é irrepetível.

 

Australian experimental jazz trio formed 1987 celebrate their 30th anniversary of improvisational pieces and performances.

lotação 150 (plateia sentada)
faixa etária m/6 anos

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