música

félicia atkinson

28 Nov 2026

Sábado

18:00

12 eur

blackbox

m/6

plateia sentada

Para Félicia Atkinson, as vozes humanas vivem rodeadas de muitas outras. Vozes de objetos, de paisagens, de livros, de imagens, de ideias, de memórias, vozes que não falam – pelo menos no sentido convencional da palavra. 

Natural de Paris, a compositora eletroacústica dedica grande parte do seu trabalho a avivar estas vozes mudas, colocando-as em diálogo com a sua. Recorrendo a técnicas de colagem sonora, muitas introduzidas pelo também francês Pierre Schaeffer e o seu Groupe de Recherche Musicales (GRM), Atkinson combina gravações de campo, instrumentação MIDI, distorção, excertos de textos e ensaios e, principalmente, poesia. Foi, aliás, através da poesia que deu os primeiros passos na música. Inspirada pela poesia sonora de  Christophe Fiat e Anne-James Chaton, começou a compôr no início da década de 2000. Formou o duo de música concreta Stretchandrelax, com Elise Ladoué, e envolveu-se com o spoken word através de uma colaboração com Sylvain Chaveau. A relação da sua música com o texto poético é também o foco de uma masterclass que a compositora orienta na manhã antes do concerto, promovida pelo Circuito (ver página x). 

Após os primeiros experimentos em duos e grupos, La La La, o primeiro disco em nome próprio chegou, finalmente, em 2008, com selo da editora japonesa Spekk. Pouco depois, conheceu Bartolomé Sanson e juntos fundaram a Shelter Press, em 2012. Nos anos seguintes, a editora tornou-se num selo de referência para a promoção do diálogo entre a arte contemporânea, a poesia e a música experimental, publicando livros, revistas e discos. Através da sua Shelter Press, Félicia Atkinson lançou o livro The Whisper e uma dezena de discos, entre trabalhos solo e colaborações com nomes como Jefre Cantu-Ledesma. Dos seus muito trabalhos em nome próprio destacam-se The Flower And The Vessel (2019), Space as an Instrument (2024) e Image Langage (2022). Recentemente editou Sans Visage (2026), que propõe uma nova banda-sonora para o filme de terror Les yeux sans visage (1960) de Georges Franju, e Reflections Vol.3: Water Poem (2026), com Christina Vantzou, lançado pela Rvng Intl. Colaborou ainda com Stephen O’Malley e os ensembles Eklekto e Neon, e soma passagens em salas e festivais de referência como Le Guess Who, Atonal, Issue Project Room e Barbican.  

apoios mais frança, um programa promovido pelo institut français du portugal e inserido no novembre numérique
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