música
Sob os nossos pés, o solo em constante mutação ecoa um tempo em que a extração se tornou a relação dominante. Mas, o planeta resiste ao controlo, anunciando outras forças e desfechos. Enraizada na geologia eruptiva dos Açores, a nova obra de Joana Sá escuta a Terra como um corpo inquieto e explora esta inquietação enquanto condição planetária.
Desenvolvida a partir de residências no Faial, em São Miguel e na Fundação de Serralves, esta peça é também muito marcada pela experiência do incêndio de 2025 na aldeia de Frádigas, no Parque Natural da Serra da Estrela – o maior de sempre em Portugal, em termos de área ardida. Como em todas as obras a solo da pianista, improvisadora e compositora portuguesa, o piano é transmutado num outro aparelho instrumental, sintonizado com os movimentos geológicos subterrâneos e conectado a um bombo e a uma caixa. Excitadores sonoros estão acoplados aos instrumentos, e através deles ressoam composições sonoras realizadas a partir de gravações de campo, captados durante o incêndio em Frádigas, nas ilhas do Faial, São Miguel e Pico, e manifestações em Lisboa e Ponta Delgada.
ficha técnica
criação e performance joana sá
cocriação — apoio à criação musical e estruturas de luthieria de cena luís j martins
cocriação — apoio ao movimento/performance teresa silva
cocriação — concepção visual do projeto e consultoria para desenho de luz daniel costa neves
desenho e operação de luz tela negra
desenho e operação de som suse ribeiro
fotos daniel costa neves
design ana viana
produção menos muito mais crl
este projeto tem o apoio da dgartes e república portuguesa
coprodução culturgest, walk & talk, fundação de serralves, gnration e avista vulcão
apoios república portuguesa – cultura, juventude e desporto / direção-geral das artes / rede de teatros e cineteatros portugueses (rtcp). rede portuguesa de arte contemporânea (rpac).

















