exposição
mankurts, por olga kisseleva
Introduzido por Chingiz Aitmatov no livro The Day Lasts More Than a Hundred Years (1980), mankurts são escravos sem alma, completamente submissos aos seus amos e sem memória do passado. De acordo com a lenda do escritor quirguiz, foram prisioneiros de guerra transformados após a exposição intensa ao calor do sol, com as cabeças embrulhadas em pele de camelo.
Artista de renome internacional e pioneira na investigação sobre novas formas de criação na interscção entre arte e ciência, Olga Kisseleva traz-nos uma exposição que adota este termo para se centrar nas condições de vida das árvores em cultivo superintensivo. Parte do projeto de longa-duração EDEN (que dá a conhecer numa masterclass promovida pelo Circuito), iniciada pela artista em 2012, esta exposição é constituída por duas peças, a instalação vídeo DANCING DATA (2024) e MANKURTS (2026), uma nova criação apresentada aqui pela primeira vez.
Cultivadas há vários milénios em culturas tradicionais, onde as condições se aproximam do estado natural, as árvores estão cada vez mais sujeitas a sistemas superintensivos. A produção começa apenas dois anos depois da plantação. Com uma densidade dez vezes superior ao estado natural, as árvores são submetidas à mecanização para uma colheita automatizada e uma poda que limita a altura. As condições de vida destas árvores lembram as adotadas pelos seres humanos nas megacidades sobrelotadas, na produção industrial e pós-industrial e noutros modos de funcionamento favorecidos pela globalização. Em MANKURTS, Olga Kisseleva interroga como é que organismos vivos toleram esta falta de respeito pelo espaço pessoal e pelo desenvolvimento individual e de que forma isso influencia o nosso funcionamento, os nossos corpos, as nossas estratégias e a nossa inteligência.
apoios república portuguesa – cultura, juventude e desporto / direção-geral das artes / rede de teatros e cineteatros portugueses (rtcp). rede portuguesa de arte contemporânea (rpac).

















