música
A música de Park Jiha está delicadamente balanceada entre herança e improvisação. A compositora sul-coreana tem uma habilidade singular de nos deixar suspensos em cada momento e em cada verso que toca. A sua abordagem inovadora transmuta-se numa forma de música minimalista que rompe com paradigmas e tradições, e que dá novas vidas a instrumentos ancestrais da Coreia, como o Piri, uma flauta de duas palhetas feita de bamboo, o Saenghwang, órgão de boca também de bamboo, e o Yanggeum, um dulcimer ou instrumento de cordas percutidas.
Conquistou o seu lugar no panorama internacional com o primeiro álbum a solo, Communion (2018). Seguiram-se Philos (2019) e The Gleam (2022), discos que lhe garantiram rasgados elogios pelo público e crítica. Pelo meio, destaca-se ainda To Call out into the Night (2022), a colaboração com o poeta Roy Claire Potter, gravada para um programa da BBC Radio 3 e lançada pela editora Otoroku, do Café Oto, em Londres. Estreou-se também na composição para cinema com a banda-sonora de Foe (2023), thriller de Garth Davis, em parceria com o britânico Oliver Coates e a dinamarquesa Agnes Obel.
Em 2025, Park Jiha regressou aos lançamentos com All Living Things, uma ode a todas as coisas vivas e uma carta de amor à experiência de estar viva. Ao seu universo sonoro tão característico, a compositora junta pela primeira vez traços da sua voz e elementos eletrónicos, resultando numa obra contemplativa, cíclica, ponderada e de evolução lenta. E é com este disco que Park Jiha chega a Portugal, para um concerto que no mínimo promete ser transcendental.
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